Mapa de acessos

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Radiografia da educação superior brasileira

Segue matéria do G1.

"Só 47 dos mais de 7 mil cursos avaliados no Enade são considerados 'top'
24 instituições, três delas privadas, respondem pelos cursos.Mais de um terço dos cursos são insatisfatórios, segundo MEC.

Somente 47 cursos superiores, dos 7.329 avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) em 2008, estão entre os “top” no país. Eles foram os únicos a obter a nota máxima (conceito 5) nos três principais quesitos -nota do Enade, IDD (índice que mostra o quanto a instituição agregou ao aluno) e Conceito Preliminar de Curso (CPC), que reúne a nota do Enade, o IDD, a titulação dos professores e a infra-estrutura.

Na outra ponta, 663 cursos tiveram desempenho insatisfatório (nota 1 ou 2) nesses três indicadores, o que significa que 23 mil estudantes que receberam o diploma no ano passado se formaram em cursos fracos."
Comento:

O exame mostrou o que muitos já sabiam. O ensino superior anda mal das pernas. Nesta caso há um paradoxo, as instituições públicas, mesmo com uma infra-estrutura ruim, tem os melhores cursos. Já as particulares, contam com infra-estrutura, mas deixam a desejar em outros pontos, tais como: professores com dedicação exclusiva e falta de pesquisa.

Além do mais as instituições particulares, pelo menos as do nosso estado, são paternalistas. Valorizam demais o aluno em detrimento de um ensino de qualidade. Alunos são tratados como crianças em um jardim de infância, os erros dificilmente são castigados com reprovação, etc. Isso sem mencionar que o paternalismo não é privilégio apenas das instituições de ensino superior particulares, escolas públicas de ensino médio também tem uma cultura paternalista.

Dessa forma alunos ruins saem aos montes dessas instituições.

Isso sem mencionar o EJA - Educação de Jovens e Adultos. Não sou contra educar jovens e adultos, mas dar acesso a sala de aula de cursos técnicos, tais como: edificações, informática, etc., para pessoas que estão há anos fora de sala de aula e tem dificuldade de escrever até o próprio nome, é auxiliar no aumento dos índices que nos envergonham. Isso mostra que o governo visa a quantidade, os números e não a qualidade no ensino.

Alunos do programa EJA deveriam passar por um nivelamento antes de entrar em um curso profissionalizante.

Os resultados do Enade 2008 aqui.

Essa é a educação do nosso Brasil. Só lamento.

1 comentários:

Natal Marques disse...

Olá professor Casanova! O trabalho com educação, como o senhor bem sabe, envolve muitas variáveis. Uma "prova" talvez não consiga englobar a todas elas. A característica inclusiva no ensino de Jovens e Adultos é uma falha? Eu penso que não. Já trabalhei com o EJA, fui professor também. Na ampla maioria dos casos o desenvolvimento de uma pessoa que já não tinha mais nem a chance de se divertir com uma boa leitura em uma idade avançada chega a comover. Processos estatísticos como esses são um prato cheio para a mídia, claro. Todavia, quem não sabe que o Brasil é ainda um país em desenvolvimento?
O tal nivelamento é uma coisa perigosa. Pode retirar a chance de muitas pessoas que acordaram em um dia ruim ou que estão mesmo sem estudar e que por isso mesmo não passarão em um processo seletivo. Nesse ponto, professor, corremos um risco sério: o de cercear um direito fundamental; o direito a educação. Posturas assim são reacionárias, elitistas e o pior de tudo, antidemocráticas.

Saudações!

P.S. Parabéns pelo sucesso dentro do IFET (CEFET) quando estudei aí, nos tempos do governo do PSDB, não tive a oportunidade de trabalhar em tantos projetos interessantes, não tínhamos recursos oriundos do governo federal social democrata - a educação não era o foco dele.